"Hoje já não tenho como reconhecer se estou certo ou errado. Na verdade, pareço ter duas vidas: uma que não é minha e outra que pertence aos meus. Estranho? Imagine isso dentro do peito e da mente!? Trabalhar, estudar, ser amigo, formar opinião, ser pai, ser amigo, pensar, escrever, torcer, amar, transar. Seria isso realmente o viver? Não sei mesmo. Difícil dizer até que ponto tais coisas podem ser chamadas de vida. Prefiro esperar. Embora, e isso é uma verdade inapelável, precise mandar muitas coisas às favas, somente o fato de pensar na situação, já é uma demonstração de amadurecimento."
Logo após escrever este trecho em um de seus cadernos, F. saiu para mais um dia louco pela megalópole. Reunião na editora; lecionar no cursinho; apresentar seminário sobre António Patrício; ficar preso no trânsito; comer mal; sorrir e agradar mesmo de saco cheio; ser paciente e politicamente correto. E com uma vontade de apertar o botão do foda-se. Mas, quem vai pagar as contas se...

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